A pedra, e por que ela importa
A Pedra do Ingá é um afloramento de gnaisse coberto de inscrições rupestres, estudado por pesquisadores do mundo inteiro e ainda sem interpretação fechada. Foi o primeiro monumento rupestre tombado no Brasil, em 1944.
Fica no Parque das Itacoatiaras, em Ingá, a 105 quilômetros de João Pessoa — cerca de duas horas de carro pela BR-230, subindo em direção a Campina Grande. O parque reúne a pedra e um Museu de História Natural, com peças originais e réplicas.
O rio corre ao redor das pedras. Na época de cheia forma pequenas quedas, e aí a visita muda de caráter — vale conferir o nível da água antes de sair, sobretudo entre março e julho.
O erro que quase todo mundo comete
Ver a pedra, tirar a foto e voltar para a capital. A visita inteira dura menos de uma hora, e é pouco para duas horas de estrada em cada sentido.
Desde 2025 existe uma rota estruturada justamente para resolver isso: a Rota Culturas e Tradições, do programa de roteirização do Sebrae Paraíba em parceria com o governo do estado, ligando Ingá à vizinha Mogeiro. O foco é turismo de experiência — o visitante entra na cozinha, na casa de farinha, na oficina de renda.
O que fazer em Ingá
- Memorial do Cuscuz — a casa de Dona Lia Mendes, agricultora que começou vendendo cuscuz na rua e transformou o quintal em restaurante. Serve o cuscuz de cabeça amarrada, tapioca e café. Grupos grandes precisam agendar.
- Fazenda Serra Verde — queijaria premiada, com medalha de ouro no queijo coalho tradicional e prata no queijo de manteiga no 2º Concurso de Produtos Lácteos da Paraíba.
- Labirinteiras de Chã dos Pereira — vinte e duas mulheres que mantêm a renda de labirinto, passada de mãe para filha, e agora a aplicam também em peças de vestuário. Há loja.
- Sítio da Pedra Encantada — pousada rural com vinte leitos, pomar, horta e trilhas. Uma leva à furna onde, conta a tradição, o cangaceiro Antônio Silvino se escondia; a outra sobe à Pedra Verde, a 500 metros de altitude, e é feita no fim da tarde por causa do pôr do sol.
- Pau de arara — o caminhão adaptado que leva gente na carroceria e ainda é como muita gente vai à feira. Para o morador é transporte; para o visitante, é opcional.
A pousada permite transformar o bate-volta em duas diárias, o que muda completamente a conta da estrada.
E o que fazer em Mogeiro
Mogeiro fica colada a Ingá e tem casario colorido. É a parada que quase ninguém faz.
- Budega de Seu Antônio — em funcionamento desde os anos 1950, com o aspecto original preservado. Serve cachaça no coco.
- Memorial Casa de Farinha, na Serra do Cabral — conta a importância da mandioca na travessia das secas.
- Fazenda Vitória — casa de farinha onde o visitante participa do processo inteiro, de descascar a mandioca a cozinhar a tapioca, com restaurante rural ao lado: galinha de capoeira, pirão, farofa d'água e cabidela.
- Crocheteiras de Mogeiro de Baixo — peças de vestuário, bolsas e artesanato de madeira na parte histórica da cidade.
A região também produz camarão em viveiro e amendoim — o que explica boa parte do que aparece à mesa.
Vale a pena para quem está na praia?
Duas horas de estrada em cada sentido. Como bate-volta só para ver a pedra, não recomendamos: é muito deslocamento para uma visita curta.
Vale em duas situações. Se você já vai subir para Campina Grande, Ingá fica no caminho e encaixa sem custo extra de estrada. E vale como programa de dois dias, dormindo na pousada rural — aí a rota inteira faz sentido e a viagem deixa de ser um deslocamento para virar uma experiência.
Para quem tem quatro ou cinco dias em João Pessoa, o conselho é o de sempre: fique no litoral.
- São João em Campina Grande, com base na praia
- Campina Grande além do São João
- Areia: o Brejo a duas horas da praia
Antes de sair
- Confirme por telefone o funcionamento do Memorial do Cuscuz, da queijaria e da casa de farinha. São negócios familiares, não equipamentos turísticos com horário fixo.
- Grupos precisam agendar com antecedência em praticamente todas as paradas.
- Parte dos acessos é por estrada de terra. Carro comum passa em tempo seco; depois de chuva, confirme.
- Leve dinheiro em espécie. Nem todo produtor tem maquininha, e o sinal de celular oscila.







