Uma fé espalhada pelo estado
A Paraíba tem santuários, cruzeiros e romarias do litoral ao Sertão. São lugares de devoção popular de verdade — gente que sobe escadaria para pagar promessa, não roteiro montado para turista. A estrutura costuma ser simples, e é justamente isso que muita gente procura.
Organizamos os destinos pela distância a partir da orla de João Pessoa, que é onde a maioria dos visitantes se hospeda. Até duas horas dá para ir e voltar no mesmo dia; o Sertão pede viagem própria.
Em João Pessoa
A capital nasceu em 1585 como Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, e a fé está no centro histórico: a Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, a Igreja de São Francisco — um dos conjuntos barrocos mais importantes do país —, o Mosteiro de São Bento e a Igreja do Carmo ficam a poucas quadras umas das outras.
As datas fortes são a Semana Santa, com procissões no centro, e o 5 de agosto, dia da padroeira e aniversário da cidade, na Festa das Neves.
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Até duas horas: Guarabira, Lucena e Cunhaú
Guarabira, a cerca de 94 km, guarda o Memorial Frei Damião, na Serra da Jurema: uma estátua de 34 metros do frade capuchinho que pregou pelo interior do Nordeste por décadas, inaugurada em 2004. O conjunto tem capela, museu e espaço de oração, e recebe milhares de romeiros por ano. A vista da serra, sozinha, já vale a subida.
No litoral, a Igreja de Nossa Senhora da Guia, em Lucena, é uma das igrejas históricas mais importantes da Paraíba. E, já no Rio Grande do Norte, a capela do antigo Engenho Cunhaú lembra os mártires de 1645, canonizados em 2017.
O Brejo: Padre Ibiapina, Cruzeiro de Roma e Pedra de Santo Antônio
- Solânea (cerca de 133 km): o Santuário e Museu Padre Ibiapina, no distrito de Santa Fé. Ibiapina foi um missionário do século XIX que fundou casas de caridade pelo Nordeste e morreu ali, em 1883. É um dos lugares de romaria mais antigos do estado.
- Bananeiras (cerca de 129 km): o Cruzeiro de Roma, símbolo da religiosidade do Brejo, com visitantes o ano todo.
- Fagundes (cerca de 129 km, perto de Campina Grande): a Pedra de Santo Antônio, um grande bloco de granito onde os devotos rezam, agradecem e pagam promessa.

Areia, Solânea e Bananeiras também formam a rota Caminhos da Fé e Criatividade, organizada com o Sebrae e o turismo do estado, que junta igrejas, engenhos históricos — como o Engenho Saboeiro, onde teria sido rezada a primeira missa de Areia — e a produção local.
Araruna: Fátima na Pedra da Boca
A cerca de 163 km, dentro do Parque Estadual da Pedra da Boca, fica o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, ao pé de um paredão de granito, com escadaria e vista para a serra. É dos lugares mais bonitos da lista e combina fé com trilha e escalada.

O Sertão: viagem própria
- Patos (cerca de 311 km): a Cruz da Menina, um dos maiores símbolos da religiosidade sertaneja, ligada à história de uma menina que o povo passou a venerar. Hoje tem santuário, anfiteatro e romarias o ano inteiro.
- Malta e Condado (cerca de 349 km): o Santuário de Deus Pai Todo-Poderoso, na BR-230, um dos polos mais novos de romaria do estado.
- Itaporanga (cerca de 421 km): o Cristo Redentor, cartão-postal do Sertão, com vista para a cidade.

São viagens de mais de quatro horas de carro. Para quem está na orla de João Pessoa, faz sentido dentro de um roteiro pelo Sertão — com o Vale dos Dinossauros, em Sousa, no mesmo caminho.
Como montar o roteiro
Um dia bem aproveitado: saia às 7h, suba o Memorial Frei Damião em Guarabira de manhã e siga uns 40 km até Solânea e Bananeiras para o Santuário de Padre Ibiapina e o Cruzeiro de Roma, com almoço no Brejo. Volta no fim da tarde.
- Confirme horários de missa e de visita: a estrutura é simples e muda em dias de romaria.
- Em datas de romaria o movimento é grande; fora delas, os lugares ficam quase vazios.
- Roupa discreta, calçado para escadaria e água: quase todos os santuários ficam no alto.
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